Coceira intensa, vermelhidão, descamação e sensação de ardor estão entre os sintomas mais comuns de quem convive com Dermatite ou Psoríase. Embora tenham origens diferentes — a dermatite geralmente relacionada a processos alérgicos ou irritativos e a psoríase associada a mecanismos autoimunes — ambas compartilham um fator central: a inflamação crônica da pele.
Estudos indicam que a psoríase afeta cerca de 2% a 3% da população mundial, enquanto as dermatites, especialmente a Dermatite Atópica, podem atingir até 20% das crianças e 10% dos adultos. No Brasil, o número de diagnósticos tem aumentado, impulsionado por maior acesso à informação e por fatores como estresse, poluição e mudanças no estilo de vida.
Segundo a fisioterapeuta dermatofuncional Fabi Pinelli, um dos erros mais comuns é tratar apenas os sintomas visíveis das crises.
“Muitas pessoas focam apenas em apagar o sintoma da crise, mas esquecem que a pele inflamada precisa de reconstrução da barreira cutânea e redução contínua do processo inflamatório.”
O que pode piorar as crises
Diversos hábitos cotidianos podem desencadear ou agravar episódios de dermatite e psoríase, muitas vezes sem que a pessoa perceba.
Entre os fatores mais comuns estão:
banhos muito quentes e prolongados
uso frequente de sabonetes adstringentes
aplicação de ácidos ou cosméticos irritantes
fricção excessiva da pele
estresse emocional
exposição solar sem proteção adequada
“Quando a barreira cutânea está fragilizada, qualquer estímulo vira gatilho. O erro é tratar a pele como se estivesse saudável”, explica Fabi Pinelli.
Ela também alerta que procedimentos estéticos durante crises ativas podem agravar a inflamação, sendo necessário estabilizar a pele antes de qualquer intervenção.
Restaurar a barreira da pele
A pele funciona como um escudo de proteção contra agentes externos. Quando essa barreira está comprometida, ocorre maior perda de água e aumento da entrada de substâncias irritantes.
Entre os cuidados recomendados estão:
hidratação diária com ativos reparadores como Ceramidas, Pantenol e Niacinamida
evitar produtos com fragrância
limpeza suave com pH equilibrado
suspender esfoliações durante crises
“O objetivo não é apenas hidratar, mas restaurar a função protetora da pele”, afirma a especialista.
O papel das fórmulas manipuladas
O suporte com ativos manipulados pode ser utilizado como complemento terapêutico. De acordo com a farmacêutica Fabiola Faleiros, proprietária das farmácias Unna Pharma e La Pharma, a personalização das fórmulas é um diferencial importante.
“Nem todo paciente tolera cosméticos industrializados. A manipulação permite ajustar concentração, veículo e combinação de ativos conforme a sensibilidade da pele.”
Entre os componentes frequentemente utilizados estão:
substâncias calmantes e anti-inflamatórias
antioxidantes tópicos
compostos reparadores da barreira cutânea
fórmulas sem fragrâncias ou conservantes agressivos
Ela reforça que o acompanhamento profissional é essencial, já que não existe fórmula padrão para todas as pessoas.
Exposição ao sol exige cuidado
A relação com o sol pode variar. Em alguns casos de psoríase, a exposição solar controlada pode ajudar na melhora das lesões, mas a exposição excessiva pode agravar inflamações.
Por isso, o uso de Protetor Solar adequado é fundamental, preferencialmente com:
alta proteção UVA e UVB
textura compatível com pele sensível
fórmulas sem fragrância
“A pele inflamada é mais sensível à radiação. O filtro solar faz parte do tratamento”, explica Fabi Pinelli.
Quando procurar ajuda médica
A avaliação especializada é recomendada quando surgirem sinais como:
coceira persistente
placas descamativas
vermelhidão que não melhora
sensação intensa de ardor
piora com cosméticos comuns
Segundo especialistas, dermatite e psoríase não são apenas questões estéticas, mas sim condições inflamatórias que podem afetar qualidade de vida e exigem cuidado contínuo.
“Não é sobre fazer mais. É sobre fazer certo. Quando a pele está inflamada, insistência piora. Critério melhora”, conclui Fabi Pinelli.